Friday, December 24, 2004

Continuação da continuação

- Buenas noches! Como le vão? Y su padre? Saudou-nos a velha a nossa chegada. – Mirta, mira quien há llegado, chachina.
- Qualquer coisa grita, mano! - disse, dando um tapa nas costas dele. Antônio não se fez de rogado. Foi logo pegando a chinoca e uma garrafa de canha e subindo a um dos quartos. Adriano e eu sentamo-nos à uma mesa que nos foi oferecida e logo as mulheres acorreram a ela. Eram argentinas em sua maioria, mas havia entre elas uma francesa, de nome Camile, que de saída chamou minha atenção e à ela dirigi minhas investidas. Não tardou para que subíssemos a um dos quartos. Adriano já havia se 'recolhido' com duas argentinas.
- Quem nunca viu melado, quando come se lambuza. - pensei
Enquanto isso, Salustiano e os outros dois homens que nos acompanhavam ficaram no bar, bebendo.
O quarto era bastante confortável, contrariando o aspecto externo da casa. Haviam duas poltronas, um sólido armário, uma cama (de medidas generosas), ladeada por bidês. A janela era coberta por cortinas rendadas que combinavam com o papel de parede. A um canto havia uma mesa com duas cadeiras, encimada por um vaso com flores brancas.
Camile é uma francesinha linda. Fala um misto de francês com castelhano que lhe empresta um charme muito especial. Não sei o que uma jóia destas faz perdida aqui nestas paragens.
- Champagne, monsieur ? - pergunta-me com um sorriso malicioso.
- Oui, madamoiselle. Je champagne!

Retira a bebida de um serve em duas taças. Brindamos. Ela bebe fitando meus olhos. Languidamente, larga a taça no bidê e começa a despir-se. Sem tirar seus olhos de mim. Depois de desatar seu corpete, beija-me voluptuosamente. Retiro-lhe a peça deixando a mostra sues seios lívidos e rijos...
Vesti um chambre e me dirigi ao banheiro que havia no final do corredor, onde Camile me esperava com o banho pronto. No exato momento em que eu abria a porta, ouvi um grito. Vinha do andar de baixo. Voltei ao quarto para pegar minhas armas enquanto meus irmãos assomaram a porta de seus quartos rapidamente.
- Que foi isso, Trajano?
- Ainda não sei. Vão descendo, que eu já vou.
Saí do quarto e avistei Camile no corredor, muito assustada.
- Ques que cet?
- Não é nada, minha prenda. Volta para o quarto e fica sossegada.
Desci as escadas e me deparei com uma cena tétrica. Um homem estirado no chão tentava inutilmente conter a fuga de suas vísceras.
- Este castelhano filho de uma égua me ofendeu, senhor. - atalhou Maurino, um peão de nossa estância. - Agora não charla mais.
- A casa não estava fechada, D. Matilde? indagou Antônio.
- Si, señor Estava cerrada si. Jo disse a este pobre hombre, pero elos insistiram....
- Ele não estava sozinho?
- Não, seu Trajano. - respondeu-me Salustiano.- Ele estava com mais três ou quatro homens...
- Entonces eles forçaram a porta e tiveram a mala surpresa de nos encontrar aqui, senhor. . Mandei-lhes embora e este infeliz disse-me que não era um 'san-pedrino tambero' que iria tirá-lo daqui. Então ensinei-lhe a não tourear um guasca velho como eu . - informou-me Maurino com sua voz atropelada.
- E os cavalos, Salustiano? - perguntei
- Continuam no potrero, senhor
Durante esta discussão, que durou pouco mais de um minuto, o tal homem agoniza e dava agora seus últimos estertores. Maurino abaixou-se ao seu lado e cochichou-lhe:
- Quien te parece tambero ahora, hermano?
O homem segurou com o resto de força que lhe restava o braço do peão e fulminou-lhe um olhar de ódio. Morria.
A velha Matilde agora chorava e pedia que fossemos embora.
Merda, pensei. Não queria dar a impressão de estar fugindo. Mas também não podemos causar mais entrevero na casa, colocando suas vidas em perigo, pois certamente os amigos do castelhano iriam querer desforra.
- Fique tranquila no mas, D. Matilde, que já nos vamos. - disse-lhe. Subi ao quarto para me vestir enquanto Maurino e Zé Maria levavam o homem para fora.
- Parece que o banho vai ficar para outra ocasião, minha prenda.
- Espero poder rever-te - sorriu-me com os olhos marejados.
- Torço para isso, Camile.- beijei-lhe e sai
- Monsieur Trajano...
- Oui, madame.
- Buena-dicha.
- Gracias. - era só o que me faltava.

1 Comments:

Blogger jords said...

E ai, garouto!!
Poxa ... me surpreendi positivamente com a ideia do livro! Cara, muito interessante.... Toca ficha, meu galo! Tens futuro.

9:04 PM  

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